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terça-feira, 4 de maio de 2010

Hamlet


















SER OU NÃO SER EIS A QUESTÃO


O fantasma do rei Hamlet assola o castelo e os guardas que decidem contar ao príncipe que decide juntamente com os guardas ficar esperando pelo fantasma do pai. O fantasma do rei aparece e conta ao príncipe que não tinha sido morto por veneno de cobra e sim por um veneno que seu irmão tinha colocado em seu ouvido. De todas as formas o fantasma do príncipe pede ao príncipe que vingue sua morte, e o filho promete ao pai a sua vingança. Hamlet finge ter enlouquecido, mas o rei não se deixa enganar e coloca oficiais para vigiar o príncipe até descobrirem a verdade. Cláudio tenta matar o príncipe Hamlet de várias formas, falha em todas. Hamlet mata Polônio, que é conselheiro de Cláudio e pai de Ofélia, esta é a mulher que o príncipe ama. Hamlet faz uma peça com cenas que se parece com a morte de seu pai, incitando que já sabe de tudo que aconteceu verdadeiramente.
Cláudio indignado com a morte de Polônio, decide mandar o príncipe Hamlet para a Inglaterra. O rei escreve uma carta ao rei da Inglaterra pedindo que este matasse o príncipe assim que ele chegasse na Inglaterra. Hamlet descobre o plano e decide alterá-lo. No terceiro dia de viagem, o barco foi atacado por uns navios de piratas. Hamlet ofereceu dez mil coroas para que eles o levassem de volta. A morte de Polônio leva Ofélia à loucura, esta teria morrido ao tentar subir a um ramo para pendurar grinaldas de flores. O ramo partiu-se, e Ofélia morreu afogada. Laertes, que é filho de Polônio e irmão de Ofélia fica revoltado e este fica com desejo de vingança, Laertes invade o castelo, Cláudio diz a Laertes que o culpado é Hamlet e deve matá-lo em um duelo de esgrima. Os dois vão ao enterro de Ofélia e acabam brigando e são separados com muitas dificuldades pelos assistentes. Hamlet aceita o desafio e não sabe que Laertes envenenara o florete e Cláudio tinha botado veneno no vinho que era destinado à Hamlet.
Durante o combate Hamlet é ferido pela espada envenenada, em uma reviravolta as espadas são trocadas, com a troca da espada Hamlet fere Laertes, a rainha Gertrudes sem saber bebe o vinho que foi preparado para Hamlet, a rainha morre e Laertes já morrendo também fala a Hamlet que sua mãe morreu envenenada e que ele também iria morrer pois a espada estaria com um veneno mortal, Hamlet já sabendo que iria morrer, lança-se contra o rei e o golpeia com a mesma espada. Hamlet em seus últimos minutos de vida fala ao seu amigo Horácio que quem iria subir ao trono seria o jovem Fortimbras, e logo em seguida morre. Fortimbras assume o trono e faz o velório de Hamlet digno de um rei, com marcha fúnebre e salva de artilharia.
PERÍODO MANEIRISTA
O Período maneirista ocorreu em meados de 1520 a 1600 entre o renascimento e o barroco, na tentativa de fazer uma harmonia entre a espiritualidade medieval e o renascentismo. Tem um perfil de difícil definição, mas em linhas gerais caracterizou-se pela deliberada sofisticação intelectualista, pela valorização da originalidade e das interpretações individuais, pelo dinamismo e complexidade de suas formas, e pelo artificialismo no tratamento dos seus temas, a fim de se conseguir maior emoção, elegância, poder ou tensão. É marcado pela contradição e o conflito e assumiu na vasta área em que se manifestou variadas feições. O maneirismo não delimita um espaço seu mesmo sendo o principal estilo entre 1530 a 1600 não consegue dominar sozinho esse período confundindo-se com a arte barroca, podemos ter exemplos disso nas obras de Rafael e Michelangelo, onde há uma competição entre o expressionismo e o surrealismo maneirista. Conduzidas no século XIX por críticos como Heinrich, Jacob, esta fase, herdando preconceitos mais antigos, foi carregada com um juízo depreciativo, e maneirista e amaneirada foram qualificativos usados para designar uma arte que era vista como decadente, repulsiva e afetada, que se afastava dos cânones de equilíbrio, harmonia, racionalidade, moderação e clareza consumados na Alta Renascença pela obra de artistas comoRafael Snzioe na primeira fase de Michelangelo.
O maneirismo é visto também entre outros aspectos, como um estilo artístico da aristocracia culta e internacional, já o barroco num dado momento, inicia uma tendência mais popular, mais emocional. Com a propagação da congra-reforma e o com o catolicismo voltando a ser a religião do povo, o barroco triunfa sobre o maneirismo.
Há um momento em que instala-se o relativismo universal, o ceticismo, onde tudo tem dois lados, surge também o capitalismo decorrente da manufatura do comércio contribuindo assim para o surgimento de novas classes sociais propiciando também o individualismo, surgindo nesse momento, a figura de narciso (o narcisismo) doença de cunho individual com uma concepção diferente do narcisismo da mitologia grega onde Narciso é feliz, pois nesse contexto, o narcisismo passa a ser um processo dialético de amor e ódio a si próprio. Tudo é relativo, surge então um homem ambíguo até mesmo em relação a sexualidade, para o maneirista o imaginário o erotismo se confunde com o narcisismo, a Gioconda (Monalisa) de Leonardo da Vinci é um exemplo de ambiguidade, algumas pinturas desse artista apresenta um caráter andrógino e este é um símbolo cósmico que caracteriza o encontro do masculino e feminino, o encontro de toda polaridade em Deus.
Historicamente, o Maneirismo vinha sendo considerado como a fase final e decadente do grande ciclo renascentista, mas hoje é reconhecido como um estilo autônomo e com valor próprio, e que já aponta para a arte moderna

Pode-se observar de acordo com as características maneiristas na obra Hamlet, o individualismo, a alienação, a metalinguagem que a obra mostra (Mise-em-abyme), questões relevantes a moral e ao sobrenatural.
A questão sobrenatural se dá quando Hamlet entra em conflito com sua mente e a ordem do pai-morto, o fantasma do pai aparece, Hamlet não sabe mais usar a razão para controlar seus atos, não sabe se deve acreditar naquilo que é humano, prefere acreditar naquilo que é sobrenatural, então arquiteta sua vingança. O paradoxo na verdade é evidente desde o inicio de seu plano para honrar o pai.
Hamlet busca a explicação em fatores divinos para explicação de suas ações no decorrer da obra, até mesmo possuir uma dupla personalidade, Hamlet finge estar louco como parte do plano de sua vingança, fica alienado, consumido pela sede de vingança.
Hamlet pai e Hamlet filho morrem da mesma maneira, envenenados e traídos. Ofélia no decorrer da obra apresenta características semelhantes ás de Hamlet, solidão, melancolia e por tudo que aconteceu a sua volta, fica louca, fica cantando pelos cantos ao saber da morte de seu pai, e comete suicídio.
A Mise-em-abyme (obra dentro da obra, metalinguagem) é evidente na parte em que Hamlet arma uma peça chamada a ratoeira, esta deveria mostrar como seu pai foi assassinado para atingir diretamente ao Rei Cláudio.
O incesto cometido por sua mãe e seu tio são fatores sociais que se mostra na peça, ato que fortalece mais ainda o sentimento de vingança de Hamlet

A obra se caracteriza como tragédia desde o momento que Hamlet deseja se vingar do Rei Cláudio que o faz tomar atitudes (individuais) diversas que levam à morte de muitos personagens, inclusive a sua. Apesar de toda a ira, Hamlet sempre se mostra inteligente, principalmente quando arma a peça para encenar em frente toda a corte. A alienação é decorrente da sede de vingança, as atitudes tomadas por ele mostram o quanto o personagem estava desnorteado, esse fato se inicia desde seu encontro com o fantasma de seu pai.
No que se refere aos aspectos míticos, de deuses influenciarem os heróis ou intervirem em suas jornadas, na obra Hamlet não é demonstrado esse aspecto, com exceção da aparição do fantasma de seu pai, onde é levado mais para o caráter religioso que é uma característica peculiar da época do renascimento, observa-se também nas orações inúteis do Rei Cláudio para Deus. A catarse se evidencia logo após a morte do Rei Hamlet que gera tristeza e melancolia no príncipe e depois de saber a verdade sobre a morte do pai, em uma reviravolta muda toda sua personalidade e seu estado de espírito, se consome pelo espírito de vingança, no entanto, Hamlet, algumas vezes, age impulsivamente levado pela exaltação de seus sentimentos. Nesses momentos, ele parece realmente fora de si, como quando mata Polônio, que ele pensava ser Cláudio, escondido atrás de uma tapeçaria, estes sentimentos de temor e piedade é que são frutos da catarse.
Diferentemente do herói trágico grego, subitamente confrontado com seu destino após promover uma sucessão de ações calamitosas – “Hamartia”, Hamlet demonstra possuir uma profunda capacidade de se posicionar ante a ordem objetiva, o que nos faz entender que não há a presença de Hamartia.

quarta-feira, 21 de abril de 2010






"Admiro os que ardem, mas sinto uma forte tendência a falar mansinho, pisar devagar... " (Clarice Lispector)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

"...Mas não sou completa,não. Completa lembra realizada. Realizada é acabada. Acabada é o que não se renova a cada instante da vida e do mundo. Eu vivo me completando nos outros, mas falta um bocado."
"Preciso do imprestável para venerar o certo."

sábado, 3 de abril de 2010

teste

Sobre costume








Não se acostume com o que não o faz feliz,
Revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

Fernando Pessoa!

segunda-feira, 22 de março de 2010

A sordidez humana

A escritora Lya Luft descreve com maestria os absurdos e os excessos do mundo em que vivemos, esse texto, intitulado "A sordidez humana", nos faz perceber que estamos caminhando para o abismo da mazela moral e ética. As aberrações do mundo moderno deturpam os valores e disseminam a mediocridade entre as pessoas. Estamos diante da perda da identidade, de uma geração individualista e ignorante que nos empurra a passos largos para o descaso.

A sordidez humana







"Que lado nosso é esse, feliz diante da desgraça
alheia? Quem é esse em nós, que ri quando
o outro cai na calçada?"

Ando refletindo sobre nossa capacidade para o mal, a sordidez, a humilhação do outro. A tendência para a morte, não para a vida. Para a destruição, não para a criação. Para a mediocridade confortável, não para a audácia e o fervor que podem ser produtivos. Para a violência demente, não para a conciliação e a humanidade. E vi que isso daria livros e mais livros: se um santo filósofo disse que o ser humano é um anjo montado num porco, eu diria que o porco é desproporcionalmente grande para tal anjo.

Que lado nosso é esse, feliz diante da desgraça alheia? Quem é esse em nós (eu não consigo fazer isso, mas nem por essa razão sou santa), que ri quando o outro cai na calçada? Quem é esse que aguarda a gafe alheia para se divertir? Ou se o outro é traído pela pessoa amada ainda aumenta o conto, exagera, e espalha isso aos quatro ventos – talvez correndo para consolar falsamente o atingido?

O que é essa coisa em nós, que dá mais ouvidos ao comentário maligno do que ao elogio, que sofre com o sucesso alheio e corre para cortar a cabeça de qualquer um, sobretudo próximo, que se destacar um pouco que seja da mediocridade geral? Quem é essa criatura em nós que não tem partido nem conhece lealdade, que ri dos honrados, debocha dos fiéis, mente e inventa para manchar a honra de alguém que está trabalhando pelo bem? Desgostamos tanto do outro que não lhe admitimos a alegria, algum tipo de sucesso ou reconhecimento? Quantas vezes ouvimos comentários como: "Ah, sim, ele tem uma mulher carinhosa, mas eu já soube que ele continua muito galinha". Ou: "Ela conseguiu um bom emprego, deve estar saindo com o chefe ou um assessor dele". Mais ainda: "O filho deles passou de primeira no vestibular, mas parece que...". Outras pérolas: "Ela é bem bonita, mas quanto preenchimento, Botox e quanta lipo...".

Detestamos o bem do outro. O porco em nós exulta e sufoca o anjo, quando conseguimos despertar sobre alguém suspeitas e desconfianças, lançar alguma calúnia ou requentar calúnias que já estavam esquecidas: mas como pode o outro se dar bem, ver seu trabalho reconhecido, ter admiração e aplauso, quando nos refocilamos na nossa nulidade? Nada disso! Queremos provocar sangue, cheirar fezes, causar medo, queremos a fogueira.

Não todos nem sempre. Mas que em nós espreita esse monstro inimaginável e poderoso, ou simplesmente medíocre e covarde, como é a maioria de nós, ah!, espreita. Afia as unhas, palita os dentes, sacode o comprido rabo, ajeita os chifres, lustra os cascos e, quando pode, dá seu bote. Ainda que seja um comentário aparentemente simples e inócuo, uma pequena lembrança pérfida, como dizer "Ah! sim, ele é um médico brilhante, um advogado competente, um político honrado, uma empresária capaz, uma boa mulher, mas eu soube que...", e aí se lança o malcheiroso petardo.

Isso vai bem mais longe do que calúnias e maledicências. Reside e se manifesta explicitamente no assassino que se imola para matar dezenas de inocentes num templo, incluindo entre as vítimas mulheres e crianças... e se dirá que é por idealismo, pela fé, porque seu Deus quis assim, porque terá em compensação o paraíso para si e seus descendentes. É o que acontece tanto no ladrão de tênis quanto no violador de meninas, e no rapaz drogado (ou não) que, para roubar 20 reais ou um celular, mata uma jovem grávida ou um estudante mal saído da adolescência, liquida a pauladas um casal de velhinhos, invade casas e extermina famílias inteiras que dormem.

A sordidez e a morte cochilam em nós, e nem todos conseguem domesticar isso. Ninguém me diga que o criminoso agiu apenas movido pelas circunstâncias, de resto é uma boa pessoa. Ninguém me diga que o caluniador é um bom pai, um filho amoroso, um profissional honesto, e apenas exala seu mortal veneno porque busca a verdade. Ninguém me diga que somos bonzinhos, e só por acaso lançamos o tiro fatal, feito de aço ou expresso em palavras. Ele nasce desse traço de perversão e sordidez que anima o porco, violento ou covarde, e faz chorar o anjo dentro de nós.

Lya Luft